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Paisagista

ANELICE LOBER

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Perfil

ANELICE LOBER

MUITO ALÉM DO JARDIM

ARQUITETURA PAISAGÍSTICA E PAISAGEM

ANELICE LOBER - Arquiteta e urbanista formada pela UFF em 1985, com pós-graduação em desenho urbano pela London College University, paisagista membro da ABAP (Associação Brasileira dos Arquitetos Paisagistas), sócia da ARQPLANT PAISAGISMO desde 1987,  vem realizando projetos de desenho urbano e requalificação ambiental para cidades, além de projetos paisagísticos e execução de jardins para residências, condomínios, empresas e fazendas.  Recebeu seu primeiro prêmio ainda estudante e, recém-formada,  trabalhou com o arquiteto Yona Friedman (ONU/Paris) e no IPHAN  (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Em 1992, projetou a capital do novo estado do Tocantins, projeto vencedor de concurso nacional e premiado pelo IAB/DF em 1o. lugar.  Possui ao todo oito  projetos premiados constando em publicações especializadas. Participou de várias edições do Casa Cor, além de exposições de trabalhos no IAB e na  Bienal Internacional de Arquitetura. Foi sócia fundadora da Sociedade de Amigos de Roberto Burle Marx (SARBM), fundada em seu atelier no ano de 1995. É também consultora especialista em urbanismo sustentável do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).


 Costumo dizer que um jardim é um presente para o futuro. Um jardim nunca está totalmente pronto porque ele é um ser mutável. Esta percepção é fundamental para a conscientização da ideia do jardim como um sistema vivo e dinâmico. É preciso ressaltar que o paisagismo é tema prioritário em termos conservacionistas, devido à redução das áreas de mata nativa e o abrigo das espécies típicas, em decorrência do processo de fragmentação das áreas verdes pela expansão urbana. Não esquecer que um jardim, ao longo do tempo, adquire as qualidades de um ecossistema artificial comprometendo-se com a preservação do meio biológico. Por isso, o objetivo geral de meus estudos é a caracterização das estruturas florístico-fito-sociológico de que compõem o sítio para a conservação da diversidade biológica, como critério de desenho, e a salvaguarda da paisagem percebida como um legado coletivo. 

Mas, gostaria aqui de refletir o jardim sobre o tema da percepção, sobre como incide na nossa maneira de interpretar a realidade. E para que essa descoberta e experiência sejam plenas é necessário usar os sentidos, aisthesis, que é de onde vem a palavra estética. Um jardim é a própria anima mundi. Porque é através dos sentidos que nos apropriamos do mundo vivo, palpitante, pleno de aromas, sons, de jogos de luz e sombra que o jardim é. 

- VER é oferecer à pureza do olhar a multiplicidade de imagens; deixar-se penetrar pela infinidade de formas, cores, tonalidades, luzes e sombras que compõem o jardim; é buscar o que se esconde e o que se revela. Ver é existir um pouco em toda a parte, pousar o olhar sobre a copa das árvores ou sobre as cores e texturas de uma massa arbustiva.

- OUVIR é acolher a intimidade do jardim naquilo que não é visível: o coaxar de uma rã, o canto de um pássaro, o farfalhar das folhagens ao vento, o movimento das águas, o ruído longínquo abafado pela vegetação.

- CHEIRAR é transformar o aroma em imagens cognitivas que nos transportam para outro tempo, outros lugares: o cheiro da terra molhada, o perfume da infância; é alterar a dimensão corpórea e a do jardim que se revelam a nível etéreo.

- TOCAR é ser envolvido pela aragem fresca e leve que vagueia pelo jardim; é oferecer o nosso corpo sensível ao contato acolhedor de outro corpo vivo e diverso em tessituras que o jardim é.

- SABOREAR é a aliança mais intima que experimentamos com o jardim, como ele se reescreve e corporifica em nós, ao sentirmos o prazer dos sabores de seus frutos, flores ou de suas águas.

                                                           Anelice Lober, janeiro de 2020.

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